O Laboratório de Sociologia dos Processos de Associação (LaSPA) é sediado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), ligado ao Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado (CTeMe) e coordenado pelo Prof. Pedro P. Ferreira (Depto. de Sociologia). A proposta do laboratório é fomentar pesquisas que, em busca de uma melhor apreensão dos processos de associação, envolvam tanto experimentação conceitual quanto fundamentação empírica. O LaSPA é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa “Conhecimento, Tecnologia e Mercado” (CTeMe), sediado no IFCH/UNICAMP desde maio de 2003.
Formulado originalmente nos escritos de Gabriel Tarde no final do século XIX (sob a forma de “imitação” ou “possessão”), o estudo dos processos de associação foi recolocado no centro das preocupações de cientistas sociais de diversas áreas ao longo da segunda medade do século XX, em grande parte devido às transformações sociais ligadas ao desenvolvimento das tecnologias da informação. A cuidadosa consideração das categorias e dos conceitos exigida do investigador/analista dos processos de associação dificulta, entretanto, o isolamento e a análise consistentes desses processos. Por um lado, isso aproxima a Sociologia Associativa de propostas “metassociológicas” como a Etnometodologia e a Teoria Ator-Rede e de metodologias empíricas e documentais como a etnografia. Por outro lado, essa preocupação conceitual também aproxima o paradigma associativo de algumas vertentes filosóficas que se dedicaram a pensar a produção, a diferença, a individuação, a heterogênese, os agenciamentos etc. (com destaque aqui para os escritos de Henri Bergson, Gilbert Simondon, Félix Guattar e Gilles Deleuze).
No geral, o estudo dos processos de associação privilegia a dimensão interacional e contextual das práticas sociais, ou seja, as maneiras como sociedades são desempenhadas de diferentes maneiras e com diferentes recursos por agentes situados em diferentes contextos e em diferentes condições. Trata-se de um enfoque mais interessado nos processos de sociogênese do que na manutenção de ordens sociais já consolidadas, encarando estas como casos-limite daqueles. Trata-se, enfim, de um esforço para conhecer novas (ou renovadas) maneiras de coexistir sem reduzí-las aos conceitos e categorias já marcados por pressupostos sobre “o ser humano” ou “a sociedade”.
Mais especificamente, o estudo dos processos de associação toma como unidade de análise a “ação associativa“. Por ação associativa entende-se qualquer ação que: (1) associe diferentes meios pela sua própria propagação; ou (2) contribua para a composição de um meio específico pela sua própria reiteração. A ação associativa se manifesta, portanto, em duas modalidades: (1) como uma ou mais linhas de ação associativa se propagando por diferentes meios; e (2) como associação de linhas de ação covariantes em um meio. Uma linha de ação associativa pode ser entendida como uma propagação variável, por diferentes meios, de uma certa configuração relacional, sendo a trajetória especificável desta propagação um índice do processo de associação como linha. Já um meio associativo pode ser entendido como uma reiteração variável de uma certa configuração relacional de linhas de ação, sendo a consistência especificável desta reiteração um índice do processo de associação como meio. Nota-se, imediatamente, que a definição de cada uma das manifestações da ação associativa pressupõe a outra (a linha atravessa meios que são compostos por linhas), de maneira que podemos encará-las como duas perspectivas sobre o mesmo fenômeno, algo como olhar para um tecido, ora da perspectiva de cada um dos fios que o compõem, ora da perspectiva da malha que eles compõem e mantêm em conjunto. Em ambos os casos, trata-se de rastrear um processo de associação e torná-lo acessível à análise, mas em um caso enquanto delineamento de uma ação associativa e no outro enquanto especificação de um meio associativo.











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